As mulheres ampliam sua participação nas posições de liderança do mercado de Compliance. Mas a área tem um longo caminho a percorrer para se tornar verdadeiramente diversa e inclusiva
Após conquistarem a maioria na base de pesquisa do Compliance ON TOP em 2024, as mulheres consolidam sua posição de liderança na edição deste ano. Em 2025, elas representam 53% da base de respondentes com atuação nas empresas. A presença feminina também aumentou nos cargos mais altos da hierarquia — diretores, vice-presidentes e chief compliance officers —, que correspondem a 32,7% de todos os participantes corporativos. Nesse recorte executivo, as mulheres somam 46,3% de participação, um avanço de mais de três pontos percentuais em relação ao ano anterior. O crescimento também é notável entre as lideranças nas consultorias e nos escritórios de advocacia, onde elas registram, respectivamente, 41,7% e 44,2% de participação.
Na média, os profissionais (homens e mulheres) que lideram o Compliance nas empresas têm 43,2 anos de idade, trajetória de 11 anos e meio com o tema e estão sentados na atual cadeira há cerca de 4,3 anos. Já os sócios da prática em escritórios de advocacia têm, em média, 42,8 anos e são ligeiramente mais experientes, com quase 13 anos de atuação no setor. Ainda mais seniores, os diretores e sócios de consultorias especializadas acumulam 14 anos de jornada na área, sendo este o segmento com a média etária mais elevada da pesquisa: 47,9 anos.
Aliás, observando um quadro mais amplo, a área de Compliance precisará aprender a lidar nos próximos anos com profissionais mais seniores, não apenas em experiência de mercado, mas em idade cronológica. Na base atual, menos de 5% dos respondentes de empresas têm 55 anos ou mais. No entanto, muitos dos jovens pioneiros que ajudaram a forjar a área no Brasil, fora do setor financeiro, começam agora a se aproximar da casa dos 50 anos. É certo que, hoje, um profissional de 50 ou 55 anos consegue aliar experiência acumulada e capacidade intelectual a boas condições de saúde, mantendo um ritmo de trabalho igual ou próximo ao que tinha aos 40. Contudo, seria ingenuidade acreditar que não existem barreiras invisíveis (ou nem tanto) no mercado corporativo que limitam o espaço para profissionais acima dessa faixa etária. Isso é particularmente crítico para quem busca recolocação, representando um desperdício de talento caso o mercado não consiga reter o conhecimento acumulado por esses homens e mulheres.
A formação acadêmica dos compliance officers segue extremamente concentrada, superando inclusive os índices das edições anteriores. Nada menos que 98,9% dos profissionais possuem ao menos uma de suas graduações (os participantes podem indicar até duas) em Direito, Administração ou Ciências Contábeis. A relação das instituições de ensino frequentadas pelos profissionais de empresas está, por sua vez, ainda mais pulverizada que no ano passado. O destaque fica para a entrada da PUC/MG no pódio das instituições que mais formam profissionais na base da pesquisa, reforçando a posição de Minas Gerais como um polo de grande relevância na formação de talentos para o setor.
Considerando os três grupos participantes, 55,6% das lideranças de Compliance possuem ao menos uma certificação profissional. A CPC-A, emitida pela LEC (correalizadora do Compliance ON TOP) em parceria com a FGV Projetos, certificou 22,9% dos profissionais de acordo com os dados deste ano, enquanto a certificação da Society of Corporate Ethics & Compliance, o CCEP, conta com 13,8% de participação na base.
No que tange à diversidade, os dados indicam que, desde 2023, o avanço tem sido tímido, para dizer o mínimo. Na comparação com 2024, a presença de pessoas identificadas como membros da comunidade LGBTQIA+ e daquelas com algum tipo de deficiência subiu marginalmente, variando menos de um ponto percentual. Já a presença de pessoas negras diminuiu de 35,1% no ano passado para 33,3% neste ano. Quando comparado ao cenário de 2023, a queda é evidente em todos os grupos minorizados.
Mas o maior desafio que a área enfrentará nos próximos anos em termos de diversidade e inclusão reside na questão racial, algo natural diante da demografia brasileira. Será necessário um movimento vigoroso para dar ao quadro de liderança, especialmente nas empresas, um pouco mais de cor, pois o cenário atual assemelha-se a uma grande tela branca.
Pela primeira vez, a pesquisa trouxe uma questão sobre autodeclaração racial, conferindo objetividade estatística ao que sempre foi perceptível: a escassez de pessoas não brancas nas posições de comando. Nas empresas, as pessoas que se autodeclaram brancas representam 88,5% das lideranças. Pessoas negras somam apenas 6,5%, enquanto as que se declaram amarelas totalizam 2,7%. Outros 2,3% preferiram não responder.
O cenário se repete nos outros segmentos: entre diretores e sócios de consultorias, brancos representam 85,8%, negros 7,9% e amarelos 2,4% (com 3,9% optando por não declarar). Nos escritórios de advocacia, pessoas negras são 9,5% dos respondentes, amarelas 3,4% e brancas 82,8%, com 4,3% preferindo não declarar sua cor ou raça.
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