Um júri federal de Miami, na Flórida, condenou um empresário norte-americano por seu envolvimento em um esquema de suborno a funcionários do governo de Honduras e lavagem de dinheiro. A prática criminosa durou quase cinco anos e visava garantir contratos para uma fabricante de uniformes e acessórios policiais do estado da Geórgia. Carl Alan Zaglin, de 70 anos, proprietário da empresa Atlanco, foi considerado culpado por articular o pagamento de centenas de milhares de dólares em propinas para obter e manter negócios com um comitê da Administração do Fundo de Proteção e Segurança Populacional (TASA), entidade governamental hondurenha.
Entre março de 2015 e novembro de 2019, Zaglin autorizou o pagamento de propinas a funcionários hondurenhos, incluindo o ex-diretor executivo da TASA, Francisco Roberto Cosenza Centeno, e o ex-diretor titular, Juan Ramon Molina. Em troca, os executivos garantiram à Atlanco contratos no valor de mais de US$ 10 milhões. Os pagamentos foram realizados por meio de um intermediário na Flórida, Aldo Nestor Marchena, que recebeu US$ 2,5 milhões com base em faturas falsas. Cosenza, Molina e Marchena já haviam se declarado culpados por sua participação no esquema.
“Subornar funcionários de governos para ganhar negócios mina o Estado de Direito e distorce os mercados competitivos. O veredito reafirma o compromisso da Divisão Criminal de erradicar a corrupção e garantir condições de igualdade para as empresas americanas”, disse o Procurador-Geral Assistente Interino Matthew R. Galeotti, da Divisão Criminal do Departamento de Justiça (DoJ).
Para ocultar os crimes, os conspiradores utilizavam linguagem codificada para se referir às propinas, como “comissões” e “taxas”, além de usarem contas de e-mail pessoais e aplicativos de mensagens criptografadas. A lavagem de dinheiro era feita por meio da transferência dos fundos da Atlanco para uma empresa de fachada do intermediário nos Estados Unidos, que então os repassava para contas em nome dos funcionários hondurenhos nos EUA, em Belize e em outros locais.
Zaglin foi condenado por conspiração para violar e violação direta ao FCPA e por conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Ele pode pegar até cinco anos de prisão para cada uma das acusações relacionadas ao FCPA e até 20 anos pela conspiração de lavagem de dinheiro. A sentença final será determinada por um juiz federal.
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