BLOG

Formação em Compliance: O Que Muda Para Preparar os Profissionais do Futuro

Formação em Compliance O Que Muda Para Preparar os Profissionais do Futuro

A evolução da área de Compliance demanda uma nova abordagem na formação dos seus profissionais

Nesta entrevista, Daniela Provazi, diretora-geral da LEC (co realizadora do Compliance ON TOP) e Matheus Cunha, diretor acadêmico da instituição de ensino que mais qualificou profissionais de compliance no Brasil, falam sobre as novas dinâmicas que impactam o desenvolvimento da área e sobre como é importante que o mercado se atente a elas no processo de aprendizado dos jovens profissionais que chegam para atuar com o compliance nas empresas, consultorias e mesmo na advocacia.


Quais aspectos vocês acreditam que será essencial para a atuação dos compliance officers no futuro próximo e que hoje, não vêm sendo endereçados nos cursos e formações sobre o tema?

Matheus Cunha: Acredito que estamos entrando em uma fase em que o profissional de Compliance precisará dominar algo que poucos cursos tratam com profundidade: a capacidade de dialogar com tecnologia. Não falo apenas sobre entender os impactos da LGPD ou sobre governança de Inteligência Artificial (IA). Também, não se trata de aprender a programar. É sobre entender como a IA toma decisões, onde o viés pode se esconder e como buscar que a tecnologia seja usada de forma legal e íntegra. É entender quais são os riscos e dilemas para minha organização e como mitigá-los. Simplesmente proibir o uso, será “remar contra a maré”. O profissional bem preparado também saberá trabalhar lado a lado com sistemas inteligentes, interpretar dados com segurança e transformar essas informações em decisões claras e práticas.

Outro ponto essencial é a capacidade de influência e storytelling (narrativa), que fazem parte da  comunicação executiva. O profissional de Compliance não pode ser apenas um fiscal que aponta problemas. Ele precisa ser um comunicador eficaz, capaz de transformar riscos, normas e controles complexos, em mensagens claras e inspiradoras, convencendo as pessoas, da operação ao C-Level, de que compliance e integridade é o melhor caminho para o negócio. E que a participação e engajamento de todos é fundamental.

Nesse mesmo sentido, sinto falta de uma formação sólida em gestão da mudança e cultura organizacional. Compliance, no fim do dia, é sobre pessoas — e implementar políticas ou controles não significa que elas serão adotadas. É preciso desenvolver habilidade de influenciar comportamentos, liderar conversas difíceis e criar ambientes onde a integridade faça sentido no cotidiano. Ele deve ser um “arquiteto cultural”, alguém que entende profundamente a psicologia humana no ambiente de trabalho e como as pessoas realmente tomam decisões, para que o programa de Compliance seja absorvido e internalizado, e não apenas tolerado.


Em linhas gerais, a capacidade de equilibrar a ética e a legalidade com as metas de negócios é apontada como um grande diferencial pelas lideranças de Compliance. Até que ponto isso é algo que pode ser ensinado e aprendido num processo de formação  em Compliance?

Daniela Provazi: Quando trabalhamos com estudos de caso, dilemas práticos e exercícios bem estruturados, o aprendizado realmente ganha vida. Esse tipo de abordagem ajuda o profissional a criar uma lógica interna para quando se deparar com a realidade. Ele desenvolve pensamento crítico, visão mais ampla do negócio e capacidade de entender as consequências das decisões. Esse é, inclusive, um cuidado que sempre adotamos em todos os programas de formação, desde a criação da LEC, justamente para aproximar a formação da realidade e preparar o aluno para situações que vão muito além da teoria. E essas habilidades serão consolidadas diante das situações concretas, da pressão do negócio, dos conflitos internos e das situações que envolvem zonas cinzentas… É na prática que se ganha a musculatura necessária para equilibrar ética, legalidade e resultados.

 

Jovens profissionais, especialmente aqueles com formação predominantemente jurídica, tendem a ter uma abordagem muito normativa e menos estratégica ou comportamental?

Matheus Cunha: Essa é uma observação que não pode ser generalizada. Profissionais com base puramente jurídica, podem se apoiar mais facilmente na letra da lei. A faculdade os treina para pensar em termos de “certo ou errado”, “permitido ou proibido”. Mas isso não significa que esses profissionais não possam se tornar estratégicos.


Isso é um gap que pode ser superado em sala de aula, ou é algo que só a prática irá proporcionar?

Matheus Cunha: O que falta, muitas vezes, é um ambiente que os ajude a enxergar como as decisões de Compliance se conectam ao negócio e às pessoas. Entender sobre processos, riscos e controles, não faz parte da formação jurídica, mas deve ser considerado fora do ambiente de ensino tradicional. Compliance na vida real é sobre dilemas e desafios, sobre influenciar o comportamento e gerenciar riscos, antes que virem problemas. Parte desse desenvolvimento pode, sim, acontecer em sala de aula, especialmente quando os cursos trabalham com casos reais e debates com profissionais com maior nível de senioridade, que colocam o aluno no papel de decisor, não apenas de intérprete. Quando o ensino traz dilemas concretos, conflitos cotidianos e problemas sem resposta perfeita, o aluno aprende a equilibrar técnica e contexto. Aqui também é a prática que completa esse processo. O contato com áreas diversas, a pressão do tempo, a convivência com lideranças, senso de urgência e priorização, bem como se inserir como parte do negócio, ajudam a formar um profissional maduro e menos literal. É no dia a dia, ao lidar com a resistência de uma área ou a complexidade de uma operação, que o profissional aprende a traduzir o “normativo” em “prático e estratégico” sem usar jargões.

 

A formação de jovens profissionais em aspectos como visão de negócios e a capacidade de avaliação de riscos, precisa de maior aprofundamento?

Matheus Cunha: Sem dúvida. Vejo muitos jovens profissionais com forte domínio técnico, mas que ainda têm dificuldade em compreender como as decisões de Compliance afetam a dinâmica comercial, financeira e operacional das empresas. Essa visão de negócios não é um luxo. Ela permite que o profissional deixe de ser visto como um “guardião de regras” ou um “bloqueio aos negócios”, e passe a ser percebido como alguém que ajuda a empresa a crescer de forma sustentável e com valor. A avaliação de riscos também merece mais espaço. Não basta identificar a possibilidade de um problema; é preciso entender impacto, probabilidade, contexto, apetite de risco e consequências práticas para a estratégia da empresa. Isso exige repertório continuamente atualizado, sensibilidade e uma escuta ativa que ainda não são treinados com a profundidade necessária. Quando o profissional desenvolve essas duas dimensões — entender o negócio e saber analisar riscos de forma inteligente — ele ganha voz, confiança e capacidade real de influenciar decisões. É isso que abre portas para posições de liderança e torna o Compliance mais conectado ao futuro das organizações.

A eventual introdução do tema de Compliance em cursos de graduação de mais áreas, como Administração, Contabilidade, Direito, Economia e Engenharia pode ajudar a formar profissionais com uma visão mais holística e estratégica sobre o tema desde o início de suas carreiras?

Daniela Provazi: Vejo essa introdução como um movimento muito positivo. Acredito que ele deveria começar ainda mais cedo, inclusive. Muitas graduações oferecem disciplinas como ética profissional ou comportamento organizacional, mas, em geral, de forma superficial e desconectada da realidade corporativa. Quanto antes o estudante compreender o papel do Compliance nas organizações e perceber que temas como integridade e governança influenciam diretamente a maneira como comportamentos são moldados e decisões são tomadas, mais preparados estaremos para construir culturas éticas no futuro. Esse contato inicial amplia a visão sistêmica do aluno e ajuda a formar profissionais mais conscientes, críticos e capazes de entender as implicações éticas das decisões de negócios. O ponto essencial é entender que essa introdução deve cumprir exatamente esse papel: abrir portas,  gerar consciência e despertar vocações, incentivando o aprofundamento posterior e não substituir a formação especializada necessária para atuar profissionalmente na área.


Compliance exige mais do que conhecer normas e legislações. É preciso saber implementar, gerir e aprimorar programas de integridade de forma efetiva.

MBA em Compliance da LEC oferece uma formação abrangente, unindo conhecimentos teóricos e práticos para profissionais que desejam atuar e se desenvolver na área de Compliance em organizações privadas, públicas e do terceiro setor.

Conheça o MBA em Compliance da LEC

São 360 horas/aula, com aulas que podem ser acompanhadas ao vivo ou gravadas e conclusão entre 9 e 18 meses. O programa aborda desde os fundamentos do Compliance até gestão de riscos, controles internos, due diligence, investigações, gestão de crises, monitoramento e cultura de integridade.

Além da formação, o aluno tem isenção da taxa para realizar uma Certificação Profissional à sua escolha, idealizada pela LEC e operada pela FGV-Projetos. As turmas são limitadas a 70 alunos.


Artigo publicado originalmente no Anuário Compliance ON TOP 2025
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

ESTÁ COM DÚVIDA?

Fale com um especialista

whatsapp logo 1