Poucos instrumentos são tão relevantes para o combate à lavagem de dinheiro, à corrupção, ao crime organizado quanto os relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). E ao longo de pouco mais de 10 anos o número de relatórios produzidos se multiplicou por mais de seis vezes, mesmo com as inúmeras restrições. Em 2014, foram produzidos 3178 documentos pela UIF brasileira. Já em 2025, esse total chegou a 20.548, incremento de 9,5% em relação à produção de 2024. Os números constam do Relatório de Gestão Integrado (RGI 2025) e sugerem uma tendência de expansão contínua, principalmente diante da perspectiva de novos investimentos nos recursos humanos e na infraestrutura do conselho. A produção de RIFs é fundamentada “em uma base de dados que ultrapassa 65 milhões de comunicações de operações”.
O número de Processos Administrativos Sancionadores (PAS) instaurados chegou a 786 em 2025. Os PAS são aplicados a instituições e empresas diretamente sujeitas à supervisão do COAF em matéria de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa (PLD/FTP). Apenas como referência, vale lembrar que o total de Processos julgados em 2024 foi de 32. A atuação supervisora e sancionadora do Conselho resultou na aplicação de R$ 96,9 milhões em multas, com ênfase na qualidade técnica, especialmente em casos de elevada complexidade e risco para o sistema de PLD/FTP.
No campo da governança e da inovação, foram implementadas melhorias no acesso à informação, como a modernização do portal COAF em Números, por meio da adoção de painéis dinâmicos e soluções de Business Intelligence (BI), que substituíram planilhas estáticas e ampliaram a transparência ativa e a qualidade da prestação de contas à sociedade.
Para Ricardo Saadi, presidente da UIF brasileira, para 2026 as perspectivas de investimento concentram-se na continuidade da transformação digital, com destaque para o desenvolvimento de uma nova plataforma tecnológica em nuvem, voltada à ampliação da capacidade analítica, à automação de processos e à interoperabilidade com parceiros institucionais; além do fortalecimento da força de trabalho. “No campo da gestão de pessoas, avançaremos nas discussões sobre a reestruturação de cargos e na incorporação de novos servidores oriundos do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU)”, acredita Saadi. Além disso, o presidente destaca a atenção prioritária à preparação do Brasil para a 5ª Rodada de Avaliações Mútuas do Fatf-Gafi.
Os riscos de lavagem de dinheiro e de influência do crime organizado não se limitam às empresas obrigadas pela legislação. Estar preparado para identificar vulnerabilidades e agir de forma preventiva é cada vez mais importante.
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