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Assédio Contra Profissionais de Compliance: Pesquisa Revela Uma Realidade Pouco Conhecida

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A realidade do assédio sobre as lideranças de Compliance

Pela natureza do trabalho que exercem, os profissionais de Compliance costumam estar, em média, mais expostos do que seus colegas de outras áreas à hostilidade de quem se vê questionado ou contrariado por alguma ação inerente à função. Esse atrito pode surgir de situações variadas, desde um simples pedido de esclarecimento sobre um determinado negócio até a sugestão de veto a uma transação ou o encerramento de relações comerciais com um parceiro. É parte do dia a dia do trabalho e é certo que a imensa maioria dos colegas buscará atender às demandas da área, afinal, estão todos do mesmo lado. No entanto, como sempre há exceções, não é incomum escutarmos relatos de represália, revanchismo e até mesmo demissão pelo simples fato de o profissional ter executado o seu trabalho corretamente.

Além dessa pressão, existe também a possibilidade real de assédio durante o exercício da profissão, seja na condução de investigações internas (situações normalmente tensas) ou em outras frentes. Por isso, não chega a ser novidade que os profissionais de Compliance sejam alvos de assédio e discriminação das mais diferentes formas. Contudo, não se deve naturalizar esses abusos, a começar pelos próprios profissionais da área.

Pela primeira vez, a pesquisa do Compliance ON TOP questionou diretamente as lideranças de compliance se eles já teriam sofrido, por conta das suas atividades profissionais na área de Compliance, algum tipo de assédio ou discriminação em razão de gênero, raça, orientação sexual ou idade.

Em um primeiro olhar, os números podem parecer baixos, como se não fossem um grande problema. Entre os profissionais que atuam nas empresas, 12,4% disseram já ter sido alvo de assédio no exercício das suas funções. Entre os sócios de escritórios de advocacia, 16,9% já foram assediados ou discriminados de alguma forma, enquanto entre os respondentes que atuam nas consultorias especializadas, o número salta para 20,5%.

Para dar mais concretude à situação, é preciso transformar esses indicadores em números absolutos: o conjunto de profissionais que respondeu já ter sido assediado por conta do trabalho na área de Compliance é de cerca de 80 pessoas, sendo que 72,9% delas são mulheres. São muitas vidas impactadas, em diferentes graus, para que o tema seja tratado como algo natural.

Nas empresas a maior fonte de assédio (66%) de acordo com os respondentes da pesquisa, foram superiores ou membros da alta administração; os colegas foram a origem do assédio e da discriminação em 54,7% dos casos, enquanto funcionários de empresas terceiras relacionadas com o negócio, impactaram 5,7% da base.

Ainda no caso dos profissionais de empresas, 83% disseram já ter sido alvo de assédio moral; outros 35,9% relataram discriminação por gênero e 11,7% por etarismo. Diante disso, 54,9% dos profissionais já assediados afirmaram ter levado a situação até instâncias superiores e, nesses casos, 40,7% disseram ter visto alguma sanção ser aplicada ao assediador.

Combinando os dados das lideranças da área nas consultorias e escritórios de advocacia, o cenário muda ligeiramente de figura quanto à origem. Embora 41,4% dos respondentes tenham dito já ter sofrido assédio de superiores ou de membros do alto escalão interno, a maior parte do problema foi gerada por funcionários de empresas clientes, situação vivida por 55,2% dos respondentes desses dois grupos. Além disso, agentes públicos já perpetraram assédio ou algum ato de discriminação contra 17,2% dos consultores e advogados participantes.

Desses profissionais externos, 58,6% foram alvos de assédio moral, 37,9% de discriminação por gênero e 13,8% de racismo. Outros 6,9% foram alvo de assédio sexual — que, não custa lembrar, configura crime. Um dado particularmente interessante em uma área que ainda é bastante jovem, mas começa a ver muitas das suas principais lideranças avançarem na casa dos 50 anos, é o fato de 48% dos respondentes de consultorias e escritórios de advocacia terem sido vítimas de discriminação por etarismo. Seguindo a análise combinada dos dois grupos, 53,6% levaram as situações enfrentadas a uma alçada superior; contudo, dentre esses casos, em apenas 26,7% deles houve alguma sanção contra o acusado.

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Artigo publicado originalmente no Anuário Compliance ON TOP 2025
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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