BLOG

O Compliance Brasileiro Novamente em Alta

O que pode parecer uma afirmação ainda é “mais” um desejo, e uma questão, mas que pode realmente indicar uma oportunidade de valorização e de resgate do “combalido compliance” em diversas organizações brasileiras.

Vivemos uma “nova onda” de escândalos e de grandes “desvios” no Brasil; em diversos setores e segmentos como sistema financeiro, setor imobiliário/incorporações, e produtos para uso doméstico, dentre outros.

O que é muito triste para quem trabalhou de forma séria e ética nas organizações envolvidas, e para quem nelas confiou, pode vir a ser o “combustível” que faltava para que o tema retorne à mente de todos, e lembre-os de que não se pode relaxar não.

Trabalhemos para que as organizações que deixaram de valorizar o “compliance”, como se “a moda tivesse passado”, entendam a sua efetiva importância, e o valor de investir, fortalecer, respeitar e reconhecer que é fundamental ajudar as empresas a serem realmente boas e fortes.

Apesar da importância e da longa trajetória do “compliance” no Brasil, ainda são muitos os desafios, e são diversas as organizações que parecem só entender o real valor de um bom e robusto programa permanente de ética e integridade quando surgem as crises.

Como (infelizmente) ocorre com diversos outros temas e questões corporativos, o reconhecimento do “compliance” tem sido bastante “pendular” no Brasil, conquistando força, recursos, valor estratégico, “espaço” nas reuniões de conselho e de diretoria, senioridade, e posição no organograma em alguns períodos (por vezes até “midiáticos”) e perdendo vertiginosa e perigosamente espaço e influência em períodos de “calmaria’.

Esquecem-se, muitos, que organizações genuína e perenemente éticas, integras e sérias, com forte compromisso permanente com a boa governança corporativa, o “compliance” e o “jurídico estratégico” são justamente as que mais conseguem evitar as crises éticas, os maiores desvios, os “vexames e os escândalos”, a perda de valor, “derretimento” de sua reputação e credibilidade.

O mundo corporativo é desafiador e complexo, de forma que erros e deslizes podem acontecer, mas que com a ajuda das ferramentas acima mencionadas, muitos “desastres” podem ser evitados ou rapidamente corrigidos, ao passo que sem esse apoio, a derrocada muitas vezes é o único “destino”.

No Brasil “relativamente recente”, muitos viram o “compliance” como meramente combate a corrupção, e uma tentativa de “proteger” executivos de “operações policiais, processos e até do cárcere”, como se tivesse sido criado com a Lei Anticorrupção e “Operações” que para muitos deixam saudade – acreditando que com o “fim daquela era” o “compliance” pudesse ser descartado ou totalmente “desidratado”.

Logicamente, não apenas não concordamos com essa visão totalmente equivocada do tema, como reiteramos que ela está absolutamente errada, pois os programas de efetiva integridade efetivamente ajudam as organizações a serem muito melhores, mais íntegras, e a monitorar bem de perto os possíveis desvios.

A proposta, e a “esperança”, neste momento é que ainda que seja muito triste voltarmos a ver tantos escândalos (envolvendo várias organizações, de vários setores e segmentos) na “mídia brasileira”, e tantas “operações policiais”, tais crises ajudem executivos e investidores a “se lembrarem” da importância e da necessidade do “compliance”, e do custo muito maior/mais alto de não valorizarem os programas robustos e adequados.

Por alguns anos, infelizmente, vimos muitas organizações (inclusive várias que sempre foram respeitadas) deixando programas de integridade “de lado”, reduzindo recursos e equipes, rebaixando no organograma, achando que os softwares “fazem tudo”, levando a “juniorização” ao extremo, e por vezes até terminando por completo com a área (ou terceirizando tudo).

A reação (e o resgate) pode estar ocorrendo agora da maneira mais dolorosa e cara, que por vezes custam a reputação e a imagem da organização, e torcemos para que “funcione”.

E esse fenômeno deve servir, também, para que profissionais bem formados e treinados, experientes, seniores e corajosos não desistam, não abandonem a área e a carreira, e sigam estudando e se mantendo ativos e atualizados.

O tema e a área precisam dessa “força” e desses “valores”, que merecem ser respeitados e contar com todas as efetivas condições de seguir prestando importantes serviços às organizações sérias e ao mercado.

Acompanhemos essa “nova fase” de investigações, escândalos e “deslizes”, trabalhando para que o compliance brasileiro de fato retome a sua fase mais brilhante e estruturada, voltando a ser, inclusive, inspiração e estímulo aos mais jovens.

Se as crises fazem com que o “compliance” seja lembrado e valorizado, que este consiga voltar a evitar que elas sejam tão frequentes e amplas.

Trabalho de todos nós!


Conheça o MBA em Compliance da LEC


As opiniões contidas nas publicações desta coluna são de responsabilidade exclusiva do Autor, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
Foto de Leonardo Barem Leite

Leonardo Barem Leite

Sócio sênior do escritório Almeida Advogados
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

ESTÁ COM DÚVIDA?

Fale com um especialista