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Governança de IA e Compliance: Como Usar Inteligência Artificial com Segurança nas Empresas

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O avanço do uso da tecnologia nas atividades de Compliance precisa caminhar junto com a boa governança sobre o uso das ferramentas de IA generativa nas empresas

Nada menos do que 81,6% dos profissionais de Compliance com atuação nas empresas que responderam à pesquisa do Compliance ON TOP 2025, estiveram envolvidos, nos 12 meses anteriores à pesquisa, em discussões ou projetos relacionados com a inteligência artificial (IA). O avanço do envolvimento da liderança da área com o tema foi vertiginoso. Em 2023, apenas 55,1% dos respondentes disseram ter se envolvido em projetos ou discussões corporativas sobre o tema.

Essa quase onipresença do Compliance em relação às discussões que de alguma forma tocam a IA tem razão de ser. Diante do avanço da tecnologia, as empresas, em especial as grandes corporações, estão buscando estabelecer uma governança para o uso da tecnologia por seus funcionários, para que a tecnologia possa ser usada pelos colaboradores de forma segura, mitigando riscos relacionados à propriedade intelectual, privacidade e vazamento de informações estratégicas da companhias, tudo isso facilitado hoje pela disseminação de programas como o chat GPT,o Deep Seek ou o Gemini, para mencionar algumas das ferramentas de IA generativa mais usadas do mundo. Sem regras claras de uso, os riscos  de alguma informação indevida (para não falar de incorreções) aparece numa apresentação importante da empresa, ou que ao treinar suas IAs, as informações possam ser mais facilmente alcançadas por pessoas de fora da organização.

Hoje, já se dá de barato que a IA vai estar cada vez mais presente nas nossas vidas e no dia a dia das empresas, assim como não se discute mais sobre os ganhos de produtividade no trabalho gerados pela tecnologia. O ganho é real, e isso também já é um dado da realidade. Mas também é inegável que existem uma série de novos riscos associados ao uso da IA e que ainda não são totalmente conhecidos; e mesmo aqueles dos quais nós já temos noção que são reais, não necessariamente estão mitigados.

Por isso, que ao longo do último ano, foi comum escutar os profissionais de Compliance, mas também de outras áreas que lidam diretamente com tecnologia e segurança de informação, falando sobre a necessidade de as empresas estabelecerem uma “governança para o uso da IA”, que estabeleceria um conjunto de políticas, regras e orientações sobre o uso da tecnologia pelas pessoas nas empresas.

Entretanto, a maioria das lideranças da área de Compliance, e não só os que atuam nas empresas, mas também advogados e consultores nesse caso, acreditam que as empresas ainda não contam com a governança adequada hoje. Entre os gestores de Compliance nas empresas, 53,9% dos respondentes disseram que a empresa nas quais eles atuam não conta com programa de governança para uso das ferramentas de IA generativa pelos seus colaboradores. Na avaliação dos sócios de escritórios de advocacia, mais de 75% deles não enxerga na maior parte dos seus clientes um programa de governança de IA; da mesma forma responderam 73,5% dos dirigentes de consultorias especializadas.

Esses indicadores talvez ajudem a explicar o fato de que o número de lideranças de compliance nas empresas que dizem fazer uso de ferramentas de IA generativa para executar atividades da área de compliance, não explodiu. Na verdade, ela apresentou uma ligeira queda, de 61,3% em 2024 para 61% neste ano.Entretant o, 57,2% dos profissionais que disseram ainda não fazer uso da IA no desenvolvimento das suas atividades profissionais de Compliance, pretendiam fazê-lo ainda dentro deste ano de 2025, o que elevaria o percentual de usuários da IA entre os respondentes para 84,1% da base.

Entre os que já usam a IA generativa, é interessante notar o uso intenso para tarefas como produção inicial de documentos relacionados a atividade de compliance, citada por 70,6% dos profissionais que responderam a pesquisa de empresa; a pesquisa de legislação e regulamentações, apontada por 49,8% da base; e a análise de contratos, atividade na qual um terço dos respondentes disseram fazer uso da IA. São todas atividades que demandam lidar muito com a escrita e a leitura, e que vem sendo “compartilhadas” com a IA, que dá conta de oferecer um bom ponto de partida, no caso da produção de textos; ou uma análise que pode ser até bastante sofisticada sobre o teor dos contratos que analisa, comparando com inúmeras legislações e regulamentações que podem tocar o documento, inclusive.

Por outro lado, vale destacar uma queda observada no uso da IA generativa para tarefas que são muito mais dependentes da expertise em Compliance. É o caso do monitoramento de terceiros, atividade para a qual 28,6% dos profissionais disseram fazer uso da IA generativa (eram 35,2% em 2024); ou do atendimento do canal de denúncias, para a qual 17,5% dos compliance officers nas empresas responderam que usam a IA generativa, ante 25% dos respondentes que disseram o mesmo no ano passado.

Nas consultorias e escritórios de advocacia participantes da pesquisa, o uso da IA pelos seus profissionais é muito mais intenso do que nas empresas. Entre os sócios de escritórios de advocacia, 81,7% dizem fazer uso da IA para executar atividades de Compliance. No caso dos dirigentes de consultorias especializadas, o percentual sobe para 84,3%. Particularmente as consultorias se destacam não só no uso, mas também no desenvolvimento de tecnologias, com 48,6% delas apontando fazer uso de ferramentas de IA com tecnologia proprietária; enquanto no caso dos escritórios de advocacia, esse percentual é de 26,6%.

Para empresas que prestam serviço, ter o controle sobre as tecnologias e ferramentas baseadas em IA usadas para atender aos clientes é muito importante, já que parte importante da governança da IA é garantir que os dados da empresa não circulam em plataformas públicas. E com 37,7% dos advogados e 36,1% dos consultores participantes da pesquisa, dizendo que tem sido demandados por seus clientes para tratar do outsourcing de atividades não estratégicas do departamento de Compliance, ter essas ferramentas próprias também passa a ser um diferencial e tanto.

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Artigo publicado originalmente no Anuário Compliance ON TOP 2025
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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