As lideranças de Compliance apontam quais as habilidades mais importantes para o exercício da profissão em um futuro próximo
Um compliance officer pode dominar todo o arcabouço legal e regulatório existente, conhecer profundamente a teoria e o ferramental técnico da área e possuir habilidades comportamentais inatas. Nada disso terá grande serventia se esse profissional não tiver a capacidade de entender o ambiente no qual todo esse conhecimento acumulado precisa ser aplicado.
“Conhecer o negócio” é o básico do básico para qualquer profissional de Compliance, o tipo de coisa que estará entre as primeiras coisas ditas em apresentações de introdução ao tema. Afinal, o compliance não existe como uma entidade independente, ele só faz sentido se for aplicado ao negócio.
Por isso, não causou estranheza nenhuma que quando questionados sobre quais as habilidades serão essenciais para um bom profissional de compliance no futuro próximo, as lideranças da área nas empresas tenham colocado a “compreensão sobre o negócio” como a mais importante, mencionada por 39% dos respondentes, que puderam listar até cinco habilidades apresentadas. E ele é tão importante que em diferentes recortes da pesquisa, ela segue sendo a habilidade mais citada: mulheres, homens, profissional de nível gerencial ou de direção e C-level e aqueles que se encontram na faixa etária entre 40 anos e 54 anos, majoritária na base da pesquisa. Em todas essas situações, a capacidade do profissional para compreender o negócio no qual vai atuar surge no topo. As únicas exceções se dão nos dos recortes que representam também os menores segmentos em termos de números de respondentes. Para profissionais de até 39 anos, que representam pouco menos de um terço da base de participantes da pesquisa com profissionais de empresas do Compliance ON TOP 2025, esse tópico fica na segunda posição, sendo suplantado pela “diplomacia”, a habilidade de estabelecer bons relacionamentos internos e externos. Já para os profissionais com mais de 55 anos, que somam menos de 5% da base, essa habilidade não aparece apontada entre as cinco mais importantes para um profissional de compliance do futuro.
A já mencionada habilidade diplomática aparece, com 37,6%, como a segunda mais mencionada na pesquisa com os profissionais de empresa, e ocupa a mesma posição em todos os principais recortes, exceto entre os profissionais com mais de 55 anos (e entre os que têm até 39, obviamente). Fechando o pódios das competências essenciais está a “comunicação eficaz”, com 34,6% de citações entre as lideranças de compliance nas empresas. Com 52,2% de citações, essa habilidade foi, de longe, a mais mencionada pelos profissionais com mais de 55 anos.
Ainda considerando a base total da pesquisa, “liderança e visão estratégica”, com 33,4%; e “negociação e resolução de conflitos”, com 27,8%, fecham o Top 5 de habilidades apontadas pelos compliance officers como as mais importantes para o exercício da profissão em um futuro próximo. Uma típica hard skill de compliance, o “conhecimento do arcabouço legal e regulatório”, vem na sequência com 26,1% de citações.
Embora a análise segmentada não traga discrepâncias radicais em relação ao quadro geral, existem diferenças notáveis no peso que cada grupo atribui a determinadas competências.
O “domínio de ferramentas de tecnologia (incluindo a IA)”, foi mencionada por 30,4% dos homens que participaram da pesquisa de empresas, oito pontos percentuais a mais do que as mulheres atribuíram a essa habilidade. Da mesma forma, no caso da resiliência, a diferença entre os gêneros é de nove pontos percentuais, com 20% das mulheres tendo indicado essa habilidade na pesquisa ante 29% de menções feitas pelos seus colegas.
Por nível hierárquico, enquanto os profissionais de nível gerencial (considerando também heads e superintendentes) dão mais valor a “escuta ativa” do que os seus superiores (27,5% de menções ante 20%) e à capacidade de “negociação e resolução de conflitos” (28,8% contra 25,8%); os diretores, VPs e chief compliance officers, dão mais ênfase à “compreensão do negócio” (42,87% contra 37,8% para os gerentes); e ao “conhecimento do arcabouço legal e regulatório” (28,9% contra 25%). Na pesquisa, a proporção de profissionais de nível gerencial em relação aos que ocupam posição de direção e C-Level é de aproximadamente dois para um.
No recorte por faixa etária, o grupo de lideranças da área de Compliance nas empresas que têm entre 40 anos e 54 anos (segmento dominante na pesquisa, onde se encontram cerca de 64% dos respondentes), dá mais importância a “resiliência” (28,2%), do que seus colegas de até 39 anos (18,8%), e com mais de 55 anos (8,7%). Já o “aprendizado contínuo” é valorizado mais pelos compliance officer de mais de 55 anos (34,8%), do que pelos grupos de até 39 anos (17,4%) e 40 anos até 54 anos (22,6%).
Entre consultores e advogados, compreender o negócio também é a habilidade apontada como mais importante para os profissionais de Compliance, mencionada por 30,7% e 29,2% dos respondentes desses grupos, respectivamente. Mas, na visão deles, outras habilidades têm mais destaque quando comparadas com seus colegas que atuam nas empresas. A maior diferença está na questão relacionada ao domínio das ferramentas de tecnologia. Para os sócios de escritórios de advocacia, essa habilidade emerge como a terceira mais relevante, sendo apontada por 25,8% dos respondentes; enquanto para os diretores e sócios de consultorias especializadas, ela é a segunda mais importante, com 29,9% de menções
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