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Compliance e Auditoria Interna: Papéis Distintos na Estrutura de Governança e Controles

A governança corporativa tornou-se um elemento central para a sustentabilidade e credibilidade das organizações. Nesse contexto, ganha destaque o modelo das linhas de defesa proposto pelo Instituto dos Auditores Internos (IIA), que organiza os papéis e responsabilidades dentro da estrutura de controles internos.

A área de compliance atua na segunda linha, sendo responsável por estabelecer diretrizes, monitorar riscos e garantir a conformidade. Já a auditoria interna atua com independência, como terceira linha, avaliando a efetividade dos controles e da gestão de riscos.

No entanto, quando saímos da teoria e avançamos para a prática, é comum que ainda haja confusão entre os papéis dessas áreas, especialmente no que diz respeito à atuação da auditoria interna no programa de compliance.

Afinal, qual é o papel da Auditoria Interna no Programa de Compliance?

A resposta depende, em grande medida, da estrutura de governança adotada pela organização.

Antes de aprofundar esse ponto, é importante reforçar que a área de compliance é responsável por estruturar, implementar, monitorar e disseminar as diretrizes que compõem o programa de compliance. Além disso, os resultados gerados pelos processos de compliance podem ser utilizados como insumos relevantes para o planejamento da auditoria interna.

A partir disso, a atuação da auditoria interna pode variar conforme o modelo organizacional adotado. A seguir, destacam-se dois cenários comuns:

Cenário 1: Auditoria interna vinculada à mesma estrutura de Compliance

Quando a auditoria interna está subordinada à mesma gestão da área de compliance, sua atuação tende a ser mais limitada no que se refere à avaliação independente do programa de compliance.

Isso não impede, contudo, que haja colaboração entre as áreas. Nesse modelo, a auditoria pode:

  • Utilizar a matriz de riscos de compliance como insumo para seu planejamento;
  • Avaliar os principais riscos identificados pela área de compliance;
  • Verificar se as obrigações de compliance, dentre essas regulatórias, estão sendo devidamente monitoradas;
  • Analisar contratos com terceiros classificados como de alto risco;
  • Identificar oportunidades de melhoria nos processos de controle.

Apesar dessas contribuições, a independência da auditoria pode ficar comprometida, especialmente na avaliação direta da efetividade do próprio programa de compliance.

Cenário 2: Auditoria interna independente da área de compliance

Neste cenário, a auditoria interna possui estrutura e gestão independentes, o que garante maior autonomia, independência e objetividade em sua atuação.

Dessa forma, torna-se possível realizar auditorias completas no programa de compliance, avaliando:

  • A efetividade dos controles de compliance;
  • A aderência às políticas e normas internas;
  • A maturidade do programa;
  • A eficiência dos mecanismos de monitoramento e resposta a riscos.

Esse modelo é considerado mais robusto do ponto de vista de governança, pois fortalece a segregação de funções e assegura maior credibilidade às avaliações realizadas. No entanto, cumpre destacar se a organização não optar por esse modelo pode optar pela contratação de auditores independentes para realizar a auditoria interna do programa de compliance.

Embora Compliance e Auditoria Interna possuam papéis distintos, suas atuações são complementares e fundamentais para a eficácia da governança corporativa.

A clareza na definição de responsabilidades, aliada a uma estrutura organizacional que preserve a independência da Auditoria Interna, é essencial para garantir avaliações imparciais e fortalecer o Programa de Compliance.

Mais do que discutir “quem faz o quê”, o ponto central está em como essas áreas podem atuar de forma complementar, preservando suas autonomias, para fortalecer os controles internos, mitigar riscos e promover uma cultura ética e com foco na sustentabilidade organizacional.


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Artigo por Erika Andrade – Especialista em Compliance, Riscos e Auditoria Interna, com mais de 10 anos de experiência na implantação e gestão de Programas de Compliance, Governança Corporativa e controles internos. Auditora Líder ABNT ISO 37001 e 37301, além de professora no MBA de Compliance da LEC. Formação em Ciências Contábeis e MBAs em Auditoria, Controladoria, Compliance e Gestão de Cooperativas em Saúde.
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva da Autora, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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