A inovação em favor da gestão de riscos

Conteúdo oferecido por Kroll e escrito por Fernanda Barroso, Managing Director e Diretora Geral da Kroll no Brasil.

Tecnologias como automação de processos, ciência de dados, inteligência artificial e blockchain podem melhorar a gestão de riscos nas empresas e, de quebra, reduzir custos. Ao ouvir estes nomes, pode parecer que, para aplicá-las, são necessários altos investimentos e uma estrutura complexa, mas o fato é que nenhuma dessas opções é particularmente cara – muitas, inclusive, estão disponíveis na rede com código aberto.

Ao automatizar processos manuais e tarefas repetitivas, pode-se minimizar erros humanos e liberar tempo dos profissionais para atividades que agregam maior valor aos negócios, como análise estratégica de riscos, identificação de oportunidades e inovação. Quando essa automação é combinada com ciência de dados e inteligência artificial, é possível então extrair o máximo valor das informações para que os executivos tomem decisões mais embasadas e acertadas. 

Uma aplicação relevante no campo da gestão de riscos é o monitoramento de transações financeiras. Podemos usar ciência de dados para integrar e analisar grandes quantidades de informações provenientes de fontes públicas, comerciais e privadas e, então, identificar atividades suspeitas. Essa solução pode ser complementada por machine learning, uma das técnicas usadas em inteligência artificial, cujos modelos estatísticos podem reduzir falsos positivos e identificar pontos cegos que um profissional de gerenciamento de riscos pode não perceber de forma isolada. Essa aplicação economiza milhares de horas de trabalho interno, além de alguns milhões de reais em sanções… 

Por meio dela, podemos, por exemplo, identificar pagamentos efetuados a empresas por serviços que estas não prestam, de acordo com o seu registo de atividade comercial; ou pagamentos efetuados quando não há contrato firmado; ou mesmo recursos enviados a entidades cujos acionistas tenham negócios em paraísos fiscais. Por outro lado, podemos levantar se uma sociedade recebeu valores de companhias ou indivíduos registrados em listas de sanções restritivas, por exemplo. Não é nenhuma surpresa que os reguladores estão recorrendo à inteligência artificial para impulsionar as atividades de monitoramento e fiscalização!

Já o blockchain, quando usado por um negócio, seja no modelo público ou privado, aumenta a segurança sobre dados e processos internos. Essa tecnologia nos permite usar contratos inteligentes para validar transações; desta forma, quando um processo atende a um conjunto de condições predefinidas, uma transação é validada, e outras ações são acionadas automaticamente.

As RegTechs têm usado bastante essa solução para automatizar a análise de documentos jurídicos ou outros dados não estruturados e, por meio de tecnologia semântica e modelos de pontos de dados, converter texto regulatório em sistemas de processamento de linguagem natural. O resultado é que uma empresa pode atualizar processos internos automaticamente, sempre que uma regulação que a afete é modificada. Mais uma vez, falamos de uma aplicação que aumenta a eficiência operacional e permite um menor tempo na identificação e implementação das mudanças necessárias para o negócio.

Esses são apenas alguns exemplos do uso de diferentes tecnologias no universo de gestão de riscos, mas poderíamos falar muito mais sobre a aplicação em atividades como triagem de fornecedores, análise reputacional e treinamento, por exemplo. Ainda assim, observamos em algumas empresas uma certa relutância no uso dessas soluções, seja porque temem um aumento nos riscos de segurança cibernética, como resultado de instâncias adicionais de terceirização, ou porque antecipam que essas tecnologias se tornarão obsoletas, o que depreciaria muito o investimento. 

Vale ressaltar, no entanto, que o fato de se permanecer com mecanismos convencionais de monitoramento de conformidade, por si só, já traz riscos à execução dessa atividade. Extrapolando a visão darwinista de que não existe evolução sem mudança, então a progressão da gestão de riscos deve partir de uma transformação constante na forma como trabalhamos com dados, aplicando a revolução tecnológica em nosso favor!

Imagem: Freepik