Falar sobre o avanço da mulher na área de compliance é falar sobre transformação, protagonismo e fortalecimento da cultura de integridade dentro das organizações. Nos últimos anos, a presença feminina em funções ligadas à ética, governança, controles internos, investigação, due diligence e gestão de riscos tem se tornado cada vez mais visível e estratégica. Embora ainda existam desafios relacionados à equidade em cargos de liderança e remuneração, os dados de 2025 mostram que houve avanço real na participação feminina em espaços de decisão, contexto que também favorece a consolidação das mulheres na área de compliance.
No cenário global, um dos dados mais relevantes de 2025 mostra que as mulheres ocupam 30,6% das posições de liderança, embora representem 43,4% da força de trabalho total. O dado, divulgado pelo LinkedIn Economic Graph com base em 74 países, revela dois pontos importantes: houve avanço na ocupação feminina de posições estratégicas, mas esse crescimento ainda ocorre em ritmo mais lento do que o necessário para alcançar equilíbrio. Em outras palavras, as mulheres estão mais presentes no mercado, porém continuam sub representadas nos cargos de comando. Esse retrato ajuda a entender por que áreas técnicas e estratégicas, como compliance, ainda demandam mais espaço, visibilidade e reconhecimento para as profissionais que nelas atuam.
No Brasil, os indicadores de 2025 também reforçam essa leitura. O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025) destacou que 38,8% dos estabelecimentos possuíam políticas de promoção de mulheres para cargos de direção e gerência. Esse número é relevante porque demonstra que o tema deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a integrar, ainda que de forma desigual, práticas mais concretas de desenvolvimento e ascensão profissional. Para áreas como compliance, em que a atuação exige credibilidade, autonomia técnica e participação em decisões sensíveis, políticas organizacionais de promoção feminina têm impacto direto na ampliação de oportunidades.
Ao mesmo tempo, o avanço feminino no ambiente corporativo ainda convive com barreiras estruturais. O 4º Relatório de Transparência Salarial, divulgado em 2025 pelos Ministérios do Trabalho e das Mulheres, mostrou que as mulheres recebem, em média, 21,2% a menos do que os homens nas empresas com 100 ou mais empregados. Segundo o levantamento, a remuneração média feminina foi de R$ 3.908,76, enquanto a masculina chegou a R$ 4.958,43, uma diferença de R$ 1.049,67. Esses dados evidenciam que o crescimento da presença feminina em áreas estratégicas precisa vir acompanhado de reconhecimento proporcional, valorização financeira e igualdade real de oportunidades.
Nesse contexto, a área de compliance se destaca como um espaço de grande relevância para a atuação feminina. Isso porque compliance não se limita ao cumprimento de regras: trata se de uma função estratégica, conectada à prevenção de riscos, à promoção da ética, ao fortalecimento da cultura organizacional e à proteção da reputação das empresas. Profissionais da área precisam transitar entre diferentes públicos, conduzir diálogos sensíveis, interpretar normas, apoiar lideranças e atuar com equilíbrio em situações complexas. São justamente nessas frentes que muitas mulheres vêm demonstrando forte capacidade técnica, visão sistêmica, escuta qualificada e sensibilidade institucional — competências essenciais para a maturidade dos programas de integridade. Essa é uma inferência coerente com a ampliação feminina em posições de liderança e com a institucionalização de políticas de promoção no mercado de trabalho.
Ainda que não haja, hoje, uma base pública consolidada de 2025 que mensure especificamente quantas mulheres atuam em compliance no Brasil, os indicadores gerais de liderança e promoção feminina permitem afirmar que a presença das mulheres em funções estratégicas vem avançando. Esse movimento também se reflete no reconhecimento crescente de lideranças femininas em integridade e conformidade no cenário internacional, além da maior visibilidade que o tema ganhou nas agendas corporativas, regulatórias e institucionais. Assim, o avanço da mulher no compliance pode ser compreendido como parte de uma mudança mais ampla: a valorização de uma liderança mais técnica, ética, colaborativa e preparada para lidar com riscos e responsabilidade corporativa.
Mais do que ocupar vagas, a mulher vem contribuindo para redefinir a forma como o compliance é percebido dentro das empresas. Quando profissionais mulheres lideram investigações, desenvolvem políticas, conduzem treinamentos, estruturam canais de relato e participam de decisões críticas, elas ajudam a consolidar ambientes mais íntegros, transparentes e humanos. O avanço feminino nessa área não representa apenas diversidade numérica; representa também pluralidade de visão, fortalecimento institucional e amadurecimento das práticas de governança.
Por isso, discutir o avanço da mulher na área de compliance em 2025 é reconhecer conquistas, mas também admitir que ainda há caminho a percorrer. Os números mostram evolução, especialmente na criação de políticas e no aumento da participação feminina em posições de liderança, mas também revelam a persistência de desigualdades estruturais, como a diferença salarial. O futuro do compliance passa, necessariamente, pela ampliação de espaços para mulheres, pelo reconhecimento da sua contribuição estratégica e pelo compromisso das organizações com uma cultura de integridade que também seja uma cultura de equidade.
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