O mundo corporativo é dinâmico e complexo, como sabemos, mas os desafios (assim como as oportunidades) surgem a todo momento, de maneira que a chamada teoria da evolução das espécies, que nos ensina a importância da adaptação (e da rapidez com que ela ocorre) tem que seguir extremamente presente no nosso dia a dia.
Tanto as espécies em geral, como todos nós, e no caso organizacional todas e quaisquer iniciativas empreendedoras (e de negócios) precisam avaliar, e reavaliar, os cenários e os desafios “o tempo todo” – para conseguirmos nos adaptar.
O tema deste breve artigo é a realidade dos eventos climáticos (especialmente os maiores e até extremos) e a sua relação com as organizações, notadamente com algumas das áreas que tem ainda maior participação no que as organizações podem e precisam fazer para conseguir manter a realidade da adaptação constante.
Até onde a ciência já nos permite conhecer o planeta e o histórico da sua evolução, a existência de eventos climáticos e de suas consequências é uma realidade, um fato; mas ao que tudo indica a magnitude, a frequência e a quase “generalização” de sua ocorrência vem aumentando. E temos que nos organizar (mesmo quando não se consegue de fato “preparar”) para essas questões.
O tema está presente na sociedade em geral e na vida de todos nós, em maior ou menor escala, e na medida em que participamos de áreas estratégicas como integrantes/participantes direta ou indiretamente das organizações (como mencionado acima), temos que procurar conhecer mais sobre todo o contexto da questão, o que se pode prever, o que se pode fazer para prevenir, onde/quais são os principais riscos e os impactos estimados.
Recomendamos que todo tipo de pesquisa, de mapeamento e de obtenção de previsões e de dados sobre essas questões seja considerada, e que com esse conjunto de informações se melhore (de forma constante) o mapa de riscos – de cada negócio, e por vezes de cada unidade, ou até de cada linha de produtos/serviços; pois é quase impossível imaginar organizações que sejam totalmente imunes ao tema e aos seus efeitos (de forma direta ou ao menos indireta).
Há bastante tempo as organizações precisam conviver com essa questão (de forma mais presente desde a “virada do milênio”) que “por séculos” não era tão presente, e nem tão comentada (e sofrida) no Brasil. E os “jovens há mais tempo” se lembrarão de que até há algumas décadas (digamos até o fim do último século) era comum alardearmos que o nosso País tinha diversos problemas e carências, mas felizmente não sofria com os eventos climáticos (que muitos chamavam de catástrofes, desastres etc.).
Essa realidade (infelizmente) antiga já é bastante diferente; e todos sabemos que o Brasil vem sofrendo, em maior ou menor escala com inundações, desmoronamentos e deslizamentos, temporais, ciclones, queimadas/incêndios, secas muito maiores/mais longas e com maior magnitude, tremores/efeitos de terremotos etc.
Sabemos, também, que os chamados eventos climáticos têm ocorrido (de forma geral) no mundo todo, de maneira que nossa sociedade e nossas organizações são afetadas tanto pelo que ocorre diretamente no nosso território quanto pelo que nos afeta indiretamente, no caso de parceiros comerciais e na cadeia de valor (no contexto corporativo).
Dessa forma, temos que passar a considerar essa realidade, seus efeitos, e a expectativa de que os “desastres/eventos” ocorram de forma cada vez mais frequente e com maior impacto nas matrizes de risco, nos planos de negócio, no planejamento estratégico e na operação de praticamente todas as empresas e organizações. Ou seja, as matrizes de risco precisam ser atualizadas e ampliadas, para incluir essa realidade (como precisam incluir os efeitos de guerras, revoltas, crises sanitárias, pandemias etc.).
Tornou-se fundamental que conselhos de administração e consultivos, diretorias e corpos diretivos de forma geral, e todas as áreas de governança corporativa, compliance, gestão de riscos, jurídico, sustentabilidade, produção, logística, compras e estratégia – dentre outras (conforme o caso e a organização) passem a mapear tais eventos e suas consequências, para tentarem estimar os riscos.
Das secas e também dos temporais e inundações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, às secas e inundações na região norte, bem como da mudança radical na região Centro Oeste na qual o “pantanal” já não é mais o mesmo e as queimadas e incêndios destroem grande parte do território todos os anos, sem contar os estragos em rodovias, aeroportos, pontes e na infraestrutura do País todo, e mesmo nas cidades (como São Paulo que vem sofrendo cada vez mais com inundações e desmoronamentos, bem como com apagões).
Efeitos de todo esse cenário, da falta de insumos e componentes (matérias primas em geral) aos impactos na mão de obra, da destruição de nossa fraca/antiga/insuficiente infraestrutura que tanto afeta a logística de forma geral à perda de parceiros/fornecedores/clientes, direta e indiretamente, interna e internacionalmente, são e serão sentidos por todos (de forma crescente), sendo nossa “única” alternativa real a melhoria dos mapeamentos de riscos e os planos de contingência – em todos os cenários.
Em nossas organizações, bem como em nossas parceiras, precisamos desenvolver e aprimorar de forma constante os controles de informação, os planos de contingência, e a gestão de crises, pois elas serão cada vez mais frequentes. E em muitos segmentos e setores essas questões são de tal monta críticas que já nem se pode alegar que sejam “imprevistos”.
Ainda que nem todas as organizações consigam ser de fato preparadas para lidar com esses temas, por diversas razões, a verdade é que todas precisam ser conscientes de que serão impactadas, e que precisarão rever seus modelos de negócios, seus fluxos de produção/cadeias de valor, fornecedores, parceiros de todos os “tipos” etc., sob pena que serem paralisados ou até aniquilados, a depender do caso, do setor e da magnitude dos impactos.
O tema é tão amplo, complexo e impactante que precisa envolver todas as organizações e todas as áreas, mas “as nossas” são ainda mais críticas.
Investidores, financiadores e parceiros de forma geral, bem como os “mercados” já estão bastante conscientes dessa realidade e de muitos de seus impactos, passando a observar e a cobrar – em todos os casos – as informações, os mapeamentos, os planos de ação e as contingências, e a magnitude dos riscos e de suas consequências.
Como atuantes nas áreas estratégicas, e integrantes de equipes de governança corporativa, compliance, jurídico, negócios/operações, gestão de riscos e de crises, temos que estar permanentemente atualizados e o mais preparados possível para apoiar os negócios em suas escolhas, revisões de processos, planos de contingências etc…
Quem mais e melhor se adaptar a essa nova realidade, conseguir precificar tudo o que for possível, e conseguir elaborar (e implementar) planos de ação para os desastres e seus efeitos, e encontrar maneiras de suprir/substituir “gargalos”, terá maiores chances de sobreviver nesse novo cenário, e de prosperar.
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