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RIG no Brasil: Salários Revelam a Valorização das Lideranças no Mercado

RIG no Brasil Salários Revelam a Valorização das Lideranças no Mercado

Numa iniciativa inédita, o Anuário Origem aponta como estão os salários das lideranças de RIG no mercado brasileiro em empresas, entidades setoriais, e consultorias e escritórios de advocacia especializados na prática

Desde que foi reconhecida como ocupação  pelo Ministério do Trabalho em 2018, a prática de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) vem ganhando mais espaço e relevância no ambiente corporativo brasileiro, como vem demonstrando, ao longo dos últimos sete anos, o próprio Anuário  ORIGEM.

Embora a atuação de profissionais com múltiplas formações profissionais  na defesa de interesses de empresas e setores da economia seja algo bem anterior ao reconhecimento formal da atividade pelo Estado brasileiro, é verdade que a partir desse momento, a profissionalização do setor ganhou tração e o mercado se abriu de forma mais segura para o trabalho de homens e mulheres que se dedicam a atuar com seriedade, transparência e de forma técnica para influenciar, oferecendo dados, informações e argumentos capazes de impactar, em diferentes níveis, os debates sobre políticas públicas (ou quais ações tomadas por agentes na área pública, como reguladores, burocratas ou legisladores) do interesse de cada setor ou organização.

E as empresas têm reconhecido a importância desse trabalho, remunerando  os profissionais de RIG com salários atraentes, em linha com outras posições estratégicas do mercado corporativo. É o que apontam os dados do Anuário ORIGEM, que pela primeira vez perguntou aos líderes de RIG sobre questões relacionadas a salários e benefícios.

A maior parcela dos líderes de RIG, 34,7% dos respondentes, tem salário mensal (excluindo benefícios) superior a R$ 50 mil, valor condizente com a importância estratégica desses profissionais, muitos dos quais têm assento nos comitês executivos das companhias. Outros 22,4% dos respondentes apontam faixa salarial entre R$ 35 mil e R$ 49,9 mil por  mês.

De acordo com os respondentes da pesquisa, que compreende apenas profissionais de nível gerencial para cima, um quarto dos respondentes ganha entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil; 15,3% têm holerite na faixa entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil, e apenas 2,6% deles têm provento inferior a R$ 14,9 mil por mês.

Em um recorte por cargos, 64% dos respondentes que ostentam títulos de diretor e vice-presidentes têm salários superior aos R$ 50 mil, enquanto entre os gerentes e heads da área de RIG ou equivalente nas empresas, 66% dizem receber entre R$ 15 mil e R$ 34,9 mil.

Empresas com receita anual acima de R$ 1 bilhão e multinacionais também concentram profissionais com rendimentos nas faixas salariais mais elevadas quando comparados à média de todos os profissionais. Em ambos os casos, 38% dos respondentes nesses grupos (muitos dos quais se sobrepõem), declararam salários acima de R$ 50 mil.

Já entre os setores melhor representados na pesquisa do Anuário ORIGEM, a área de tecnologia (que equivale a 11% do total de profissionais de empresas que responderam a pesquisa) confirma a escrita de ser um setor bastante agressivo em relação à remuneração de talentos, com 57,2% de seus líderes de RIG dizendo receber mais de R$ 50 mil ao mês. Nos outros dois setores melhor representados na pesquisa –  alimentos e bebidas (12,8% da base) e Farmacêutico/Saúde (13,8% da base) – esses percentuais equivalem a 39,3% e 33,3%, respectivamente.

Diferenças por gênero e faixa etária

Quando se olha para a questão salarial sob uma perspectiva de gênero, considerando que a pesquisa trabalha com faixas salariais e não com o valor exato de cada profissional, as diferenças existem, mas não se mostram tão díspares, refletindo mais um problema histórico ainda não equacionado – a defasagem entre o que se paga à mulheres em relação a homens pela mesma função – do que uma questão própria da área de RIG.

Aliás, na medida em que a participação das mulheres na liderança de RIG sobe, o que vem acontecendo ao longo de toda a história da pesquisa, é possível que essas diferenças se estreitem. Por enquanto, o que temos são as mulheres ( que neste ano respondem por 47,5% da base) com uma participação de aproximadamente dois pontos abaixo da média geral nas faixas salariais acima de R$ 35 mil (com os homens aproximadamente dois pontos acima da mesma média). A faixa intermediária, com ganhos entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil, é onde as mulheres superam a média salarial em cerca de quatro pontos percentuais.

Já quando o recorte é feito em relação à faixa etária, a lógica da experiência se impõe, em especial no topo da pirâmide. A maior parte dos profissionais com até 39 anos (23,8% da base), 37,4%, se encontra na faixa entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil,  com outros 29,2% ganhando entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil. Na outra ponta, os profissionais com mais de 55 anos (12,3% da base), têm maior concentração nos  salários de maior valor, 44,4% deles recebem mais de R$ 50 mil, enquanto outros 25,9% recebem salário entre R$ 35 mil e R$ 49,9 mil.

Os profissionais entre os 40 anos e os 54 anos, que representam o maior grupo etário da pesquisa (63,9% da base), também têm concentração nas faixas mais elevadas, com 40,5% deles ganhando acima de R$ 50 mil mensais e 24,8% ganhando mais de R$ 35 mil até R$ 49,9 mil.

Nas entidades de representação setorial, uma área do mercado que começa a avançar de forma mais assertiva no seu processo de profissionalização da governança (leia a matéria “Pavimentando as estradas”, nesta edição do Anuário ORIGEM), pode-se dizer que os salários ainda estão, na média geral, em patamares abaixo daqueles praticados nas empresas (em especial nas grandes, considerando que aproximadamente 80% da base de respondentes da pesquisa com profissionais de empresas é composta por pessoas que atuam em companhias com vendas acima de R$ 1 bilhão ao ano). Ainda assim, é uma frente nova e promissora de trabalho para profissionais de RIG.

Na pesquisa deste ano, 36,4% dos respondentes (o que equivale a maior parte dos líderes de RIG com atuação nas entidades, incluindo aí os próprios dirigentes dessas organizações) situa-se na faixa salarial entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil. Já a segunda faixa com maior percentual de participação, 24,7%, é justamente a dos profissionais com salários acima de R$ 50 mil, uma realidade que vem se tornando mais comum, em especial entre aqueles que ocupam a presidência dessas entidades.

A participação das mulheres atuando no RIG ou no comando das associações de representação setorial é inferior à observada nas empresas (39,6% da base), e no topo da pirâmide a diferença entre homens e mulheres com salários acima de R$ 50 mil se faz maior, com 20,0% das mulheres recebendo esse montante, enquanto entre os homens, esse percentual chega a 27,7%.

Já no caso das consultorias especializadas em RIG, um segmento naturalmente heterogêneo, existe uma distribuição maior entre todas as faixas salariais. É aqui onde se encontra o maior percentual de profissionais – neste caso sócios e diretores dessas firmas, com receita mensal de até R$ 14,9 mil – de toda a pesquisa do Anuário ORIGEM. Na outra ponta, 14,7% dos consultores têm salário mensal equivalente ou superior a R$ 50 mil.

Nas consultorias que declaram receita anual de até R$ 4,9 milhões, a dinâmica da distribuição entre as faixas salariais se mantém, o que não se repete no caso dos profissionais que atuam em casas com faturamento superior a R$ 5 milhões. Para esses últimos, existe uma maior concentração (mais de 60% da base), nas faixas entre R$ 25 mil e R$ 49,9. Também nas consultorias, as mulheres, (39,1% da base), apontam uma diferença salarial considerável em relação à média do mercado. Elas têm a maior concentração nas faixas entre R$ 15 mil e R$ 34,9 mil de salário mensal.

Bônus de curto prazo é quase unanimidade nas empresas

Nada menos que 90,5% dos profissionais em posição de liderança de RIG nas empresas têm a possibilidade de receber bônus por performance de curto prazo, tornando o benefício quase um padrão para os executivos e executivas da área. Entre eles, a maior parte, 40,8%, pode levar para casa até três salários adicionais em decorrência da sua performance, enquanto para 34,7%, o bônus fica entre 4 e 6 salários a mais. Bonificações acima de 10 salários são uma realidade para 12,8% dos profissionais de RIG. Mas esse percentual sobe para 18,8% quando se analisa apenas as lideranças com cargo de direção e vice-presidência. Já entre gerentes e heads, apenas 7,2% da base pode almejar um bônus tão vultuoso.

Por fim, entre os profissionais de RIG corporativos que têm a possibilidade de bônus de curto prazo em seus contratos de trabalho, 67,2% também tem acesso a algum incentivo de longo prazo, como opções de ações, restricted shares unit, phantom shares ou bônus por tempo de permanência.

Gráficos

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Artigo publicado originalmente no Anuário ORIGEM 2025
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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