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A Infiltração do Crime Organizado na Economia e o Novo Papel do Compliance Financeiro

Escancarada a infiltração do crime organizado em diferentes setores da economia real, incluindo aí o domínio de cadeias produtivas complexas, não existe mais a possibilidade de empresas, autoridades e profissionais ignorarem a realidade, que traz impactos e riscos substanciais ao ambiente corporativo brasileiro, como mostra a reportagem de capa desta  edição da revista LEC.

Esse cenário impõe necessidade de novas abordagens para a nossa área, com a capacidade de um olhar muito mais apurado e potente para captar detalhes que não eram considerados e também para conseguir olhar para um quadro mais amplo, mas sem perder a capacidade de enxergar esses detalhes. Isso passa, inclusive, por implementar controles e monitorar operações antes restritas a entidades obrigadas a terem Programas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro.

A teoria e a prática do compliance praticados na área financeira serão cada vez mais essenciais para permitir aos compliance officers de todos os setores da economia, irem além dos controles e análises que serviram de base para o trabalho da maior parte daqueles que não precisam operar sob a regulação bastante exigente à qual os bancos, por exemplo, estão sujeitos. Particularmente, o compliance financeiro dá aos profissionais bases para um novo mindset, mais robusto, complexo e por que não dizer, moderno de “know your client” e “follow the money”. Como disse um dos entrevistados na reportagem de capa, será necessário, para conseguir chegar aos beneficiários reais de uma operação, “um mix do processo de due diligence tradicional com as de uma due diligence financeira, que também tenta identificar isso (os beneficiários finais) porque no final das contas, os criminosos aprenderam a preparar esses papéis que são avaliados no processo”.

Mas, o crime organizado se sofisticou tanto em suas operações, que o próprio sistema financeiro – e as autoridades já se deram conta disso – precisarão de novas bases para conseguirem ser diligentes em seus processos de prevenção à lavagem de dinheiro. Arrisco prever, inclusive, que daqui para a frente será necessário dar mais atenção a ferramentas e processos que sempre estiveram mais relacionados a um contexto de financiamento do terrorismo, algo a qual bancos do mundo inteiro estão sujeitos, mas que historicamente, nunca ressoaram por aqui com a mesma intensidade com que afligem as instituições nos grandes centros financeiros globais.

É uma situação nova, que vai exigir dos profissionais de compliance de praticamente todos os setores da economia experiência, atenção e senioridade, e acima de tudo, preparo técnico com outros conhecimentos e habilidades.

Contudo, quanto mais experiente nos tornamos, mais claro fica algo que é sempre muito falado, mas da qual nem sempre temos a real noção do seu significado: não somos super-heroínas (e heróis). E é aqui que precisamos ter uma conversa franca sobre expectativas e realidade sobre a atuação dos compliance officers. Não existe programa de compliance infalível, e isso é uma obviedade que precisa ser dita de tempos em tempos.

A tomada de riscos e as decisões finais do negócio são sempre de quem tem a responsabilidade pelo negócio, não nossa, cuja responsabilidade é de aconselhar essa liderança, da melhor maneira possível, em relação aos impactos destes eventuais riscos, inclusive com sugestões para ajudar o negócio a seguir sem eles ou ao menos, mitigando-os. Mas, para que possamos fazer esse aconselhamento da melhor maneira possível, e nos mantermos, nós mesmos dirigentes, precisamos compreender essa mudança de realidade sem mascará-la.


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Artigo publicado originalmente na edição 40 da Revista LEC.
As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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