O universo corporativo bem sabe que são muitos os fatores que levam as organizações a prosperar, e a se desenvolver, assim como são igualmente vários (somados) que as levam à derrocada e ao fracasso.
E também sabe que se não existe uma fórmula mágica e infalível (nem “receita de bolo”) há uma série de cuidados e de fatores que podem ajudar bastante a avaliar, inclusive, se o negócio pretendido “faz sentido” e tem condições reais de implantação. E o papel da liderança (como orquestradora/na posição de maestro-maestrina) é fundamental.
Engana-se, e muito, quem acredita que empreender seja fácil e simples (especialmente no Brasil), assim como quem acredita que “basta” uma grande ideia ou ser criativo e inovador, pois o empreendedorismo demanda muito mais.
De forma resumida, é comum vermos recomendações que apresentam um conjunto mínimo de fatores e de atributos que podem ajudar na efetiva criação de um negócio (de forma estruturada e com mais chances de “dar certo”).
Muita pesquisa prévia, “business plans” não apenas bem-feitos como realistas e de fato viáveis, apoio especializado de consultorias de organização e de gestão (quando necessário), conhecimento de mercado e do setor (especialmente quando o negócio demandar questões mais complexas em temas como direito societário, aspectos regulatórios, fiscais e tributários, logística e zoneamento, dentre outros).
A própria escolha do tipo societário, da estrutura fiscal e de tributação (no que se pode “escolher”), e ainda dos possíveis sócios (e do relacionamento entre eles) podem ser “chave” desde o começo, de forma que sempre que possível é um dos temas que devem merecer muita atenção.
Destacamos, porém, neste breve artigo, que alguns pontos centrais na estruturação e na gestão do negócio precisam ser compreendidos pelos empreendedores e pelos investidores em todo empreendimento, e passam pelo principal papel do grupo (ou da pessoa) fundadora – quais sejam a liderança, o talento e o preparo para gestão, a cultura da integridade (que se relacionam totalmente com as grandes linhas da governança corporativa e do “compliance”), comunicação fluida e clara, e a atenção permanente à criatividade, à inovação e a adaptação aos cenários em mutação constante.
A “lista” de fatores que ajudam a estruturação e a gestão dos negócios pode ser muito grande, e tende a crescer com a complexidade do empreendimento e do cenário/contexto, mas aqui destacamos, de forma bem rápida e concisa, a liderança, a cultura da integridade, a comunicação e a inovação, discorrendo um pouco sobre cada um desses pilares.
A liderança é a responsável (dentre outros) pela estruturação, pela organização, pela direção, pelo ritmo, pela velocidade, mas também pela inspiração, fornecendo o “tom” da empresa, e a sua atuação e o seu exemplo são fundamentais para a construção da cultura.
Políticas, programas, ferramentas, fluxos, padrões e mesmo controles, além de treinamentos são fundamentais, mas é a realidade “do dia a dia”, a rotina, o exemplo (que vem e precisa vir “de cima”), e o modo de gerir e de atuar, que de fato constroem e “moldam” a cultura e o “jeito” da organização operar.
Mesmo programas robustos e bem estruturados de boa governança corporativa, de “compliance” e de sustentabilidade podem ser destruídos e neutralizados (ou serem ineficazes) se a liderança e a cultura não escolherem de fato, dia após dia e todos os dias, em todos os momentos, situações, escolhas e decisões que são os valores, os princípios, o propósito da organização que devem prevalecer.
Somente com uma efetiva cultura de ética e de integridade, estabelecidas e vivenciadas pela liderança, de forma constante e permanente, em todas as situações, “sem jeitinhos”, sendo comunicada sempre de forma clara, objetiva e simples as organizações poderão ter mais condições de lidar com as crises, os erros, os imprevistos, com os diversos fatores (internos e externos) que afetam os negócios.
A força e a firmeza desses fatores não significam perda de flexibilidade e nem devem dificultar a rapidez e a adaptabilidade que os negócios demandam, mas precisam manter o “norte” sempre claro, e garantir a todos o que pode e o que não pode ser “negociado”.
A mesma lógica deve ser aplicada à inovação e a criatividade, que precisam ser tão estimuladas quanto os cuidados com custos, com automação, e com a clareza dos movimentos, das tendências e do contexto dos mercados e do segmento em que se atua.
Em outras palavras, inovação e criatividade são não apenas fundamentais em todos os segmentos e organizações, como também não devem ser alocados a “slogans” nem a áreas/setores, precisando ser realmente integrados ao modelo de negócio e a toda a organização, compondo a cultura. E a comunicação precisa ser tão clara que permita a todos a perfeita compreensão das mensagens que precisam integrar e afetar o dia a dia, indo “bem além” das políticas e dos treinamentos.
E, se a cultura é o que se vive na prática (no dia a dia e em todos os momentos e situações) e a liderança é quem coordena, organiza e orquestra o “todo”, cabe justamente a ela esse papel central que é muito complexo e desafiador, mas igualmente fundamental às organizações, de forma que aqui sustentamos que liderança, cultura, inovação, criatividade e comunicação integrem um sistema, que se interrelacione, conecte e complemente.
O cenário atual e cada vez mais complexo nas organizações é esse, e é nesse contexto que as áreas jurídica, governança corporativa e “compliance” precisam atuar.
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